Desde que nascemos somos condicionados por tudo que nos rodeia, a família, o local onde crescemos e como vivemos vai determinar os nossos padrões inconscientes, que nos vão condicionar mais tarde os nossos comportamentos.

Cada vez mais a nossa sociedade e os padrões desenvolvidos por ela nomeadamente os socio económicos levou cada vez mais o ser humano entrar num labirinto sem fim de insatisfação, medo, complexos.

Para sermos aceites socialmente temos que ser magros, bonitos, ter um cargo de Ceo, educação e cursos diferenciados, carro de status, casa, etc. uma lista sem fim de condicionalismos que levou o ser humano numa corrida ao consumo a ter que mostrar ao mundo que o seu valor e respeito do próximo em relação a si dependia do que tinha, não do que era enquanto Alma.

Cada sucesso que era atingido, o ser criava logo novo patamar, nova ambição, nova insatisfação e continuava nessa corrida incessante em busca sempre de ter algo mais.

“Quando deus quer castiga os homens satisfaz-lhe os desejos” Buda

Toda esta necessidade desenfreada de ter que vencer, conquistar, comprar levou a que o ser entrasse numa espiral de angustia, descontentamento, temor que o levou inevitavelmente a viver depressões (situações que não aceitamos na nossa vida) e por consequência ou ao disparo em flexa de consumo de ansiolíticos e antidepressivos duplicam a cada ano que passa.

Desde 2008 entramos numa fase de queda e perda das estruturas socio económicas que veio abalar, todo um estilo/comportamento de vida que deixou de ser compatível com os padrões de status vividos até então.

Vivia-se na fase da futilidade e do status, mas através, das perdas o ser humano foi obrigado a olhar para dentro de si, a encontrar respostas e a encontrar realmente tudo aquilo que alimenta a sua alma.

Toda esta viagem do ter ao ser leva muito tempo, por vezes até décadas, pois a grande dificuldade do ser humano é abrir mão do velho ego, pois vive cristalizado dentro dos seus valores e padrões.

Tudo isto é revelador de uma grande carência em termos emocionais, e afetivos que levou as pessoas a quererem compensar materialmente, continuando a existir um enorme vazio interior.

As pessoas mais felizes são as que vivem sem expetativas, não tem necessidade de mostrar ou provar algo seja a quem for, porque acima de tudo se amam, se valorizam pelo que são, não pelo que possuem.

Esta é a grande viagem que o ser humano está a ser obrigado a fazer nesta última década.

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